Fiquei para lá de feliz de ser escolhido como Paraninfo da Turma 2008 do Curso de Projeto e Desenvolvimento de Sistemas Corporativos lá na PUCPR. Uma turma bastante esforçada a qual vou sentir bastante saudades de todos!
Na verdade, fui professor de todas as turmas do curso desde sua primeira turma em 2005 e sempre tive alunos bastante dedicados principalmente devido ao perfil: alunos já inseridos no mercado de trabalho ou provenientes de cursos técnicos da área tecnológica.
Segue a seguir o discurso:
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Saudação às Autoridades
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Prezados colegas de mesa, prezados pais, familiares, amigos e demais professores.
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Meus queridos afilhados, boa noite!
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Agradecimento
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Em primeiro lugar, gostaria de agradecer aos formandos do curso de Projeto e Desenvolvimento de Sistemas Corporativos pelo convite para ser o paraninfo desta turma.
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Recebi esta homenagem, esta responsabilidade e este privilégio com muita honra e, principalmente, alegria.
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Resumo
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Hoje, mais importante que o reconhecimento de que vocês chegaram a um lugar o qual pouquíssimos brasileiros alcançam, através do diploma e do conhecimento que receberam, creio que seja essencial vocês pensarem desde já: “E agora, turminha? Qual é o próximo passo?”
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Valorização do trabalho dos alunos
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Antes de refletirmos sobre isso, queridos afilhados, meus Efusivos Parabéns para toda esta turma. Todos vocês fizeram por merecer estar aqui.
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Ao terminar esta trabalhosa jornada de dois anos tenho o prazer de dizer que a partir de hoje vocês se tornam oficialmente Projetistas de Sistemas Corporativos.
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Eu me orgulho de vocês por chegarem onde estão. E me orgulho mais ainda por vocês terem correspondido ao que foi exigido em nossas disciplinas.
Lembro, muitas vezes, que eu recebia e respondia email de vocês em um fim de semana, durante a madrugada, ou em feriados. E, o mais importante: nossas conversas não se limitavam às dúvidas sobre a matéria da aula. Vocês sempre queriam saber mais!
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Eu tenho certeza que valeu a pena as noites mal dormidas, as preocupações com a data e mesmo hora das entregas de trabalhos, as leves discussões com as esposas e maridos reclamando de sua falta de tempo e, é claro, as aulas comigo às 7:30h da manhã de Sábado.
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Por falar em esposas, meus parabéns se estendem também aos familiares e amigos dos formandos, por sua paciência e apoio nos momentos necessários.
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E todos sabem, que após um dia inteiro de trabalho, é cansativo ficar sentado e prestando atenção na aula.
Tenho admiração por alguns destes alunos que chegavam pontualmente na aula de Sábado de manhã vindo direto do trabalho.
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Assim, nós, enquanto professores, observamos e valorizamos o seu esforço, não só devido às olheiras e cabelos despenteados dos últimos dias de aula, mas, principalmente, pelo excelente resultado dos projetos de conclusão de curso.
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Tais projetos refletiram a própria personalidade de vocês, por isso, insisto, meus afilhados: não deixem de levar a cabo aquilo que vocês acreditaram enquanto projeto.
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Crise Mundial
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A mídia e as pessoas falam muito em crise. Mas vocês tem as ferramentas para vencer qualquer crise real ou imaginária.
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Além de um chapéu de formando na cabeça e um projeto ou mesmo uma implementação na mão vocês tem conhecimento técnico e um diploma com reconhecimento nacional.
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Mesmo assim, não ignorem a possível crise que enfrentamos.
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As demissões, em nossa área, na área de tecnologia já estão acontecendo, mesmo de maneira disfarçada.
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As novas oportunidades de trabalho aparentemente diminuem.
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Muitas multinacionais pesquisam inclusive a possibilidade de finalizar suas ações locais e investir em países menos caros ou com menos encargos trabalhistas e tributários que o Brasil.
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Porém, todo esse cenário é ao mesmo tempo ruim e muito bom para nós.
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Devo lembrá-los que em chinês, o ideograma para a palavra “Crise” é formado por outros dois ideogramas: “Momento de grande perigo” e “Oportunidade”.
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Portanto: se a crise oferece problemas, também traz novas oportunidades.
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Oportunidade de: abrir o seu próprio negócio, investir em pesquisa e inovação e na aplicação de novas tecnologias, ser um empreendedor dentro da empresa que você já trabalha, preencher o vazio deixado pelas empresas que se vão e mesmo liderar o barco durante as tempestades.
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Estudo não termina na faculdade
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Só que, para aproveitar qualquer oportunidade, você deve saber como enxergá-las e deve parar de fazer o mínimo, o estritamente necessário, e focar sempre em surpreender e dar tudo de si.
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Desse modo, agora no mercado de trabalho, será necessário que vocês desenvolvam outras habilidades, as quais fogem da parte técnica que passamos para vocês durante o curso.
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Citando o Professor Fernando Dolabela, consultor na área de empreendedorismo. Ele diz: “É preciso ser especialista no que não existe”
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Ou seja, vocês nunca devem deixar de se atualizar e de prestar atenção em outras áreas do conhecimento e tendências trazidas por estas áreas.
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Devemos usar o nosso “jeitinho brasileiro” não naquele sentido pejorativo, mas no sentido positivo de que devemos ser pessoas versáteis no que fazemos.
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Por exemplo, na construção de nosso principal produto: o sofware, estamos deixando de nos preocupar com ele enquanto entidade estanque que você instala e copia de um micro para outro. Passamos a um mundo no qual o software serve mais como suporte à prestação de serviços. Desta forma, devemos nos focar cada vez mais em como criar um bom serviço, como misturar serviços diferentes para criar algo novo e nos focar menos no software em si.
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Outra tendência que vocês devem estar atentos é o que chamamos de computação invisível.
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A máquina deve servir ao homem e não o homem à máquina.
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É necessário, portanto, o desenvolvimento de outras habilidades mais baseadas na criatividade e no lado direito do cérebro.
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Com efeito, o futuro pertence a um tipo diferente de indivíduo. Passamos da idade da informação para uma idade conceitual. Nesta nova era, os artistas, professores, designers, inventores, contadores de histórias, engenheiros do conhecimento – quem pensa ou enxerga diferente e na vanguarda – serão valorizados mais do que nunca.
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Sobre este novo tipo de pessoa recomendo a leitura do livro de Daniel Pink, “O Cérebro do Futuro”.
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Então, meus afilhados: sejam polivalentes, nunca parem de estudar e sempre tenham curiosidade sobre coisas que às vezes podem não ter ter relação imediata com aquilo que vocês trabalham diariamente.
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Uma das principais estratégias de sucesso de Bill Gates não foi a sua capacidade de programação de computadores e nem a sua vivacidade no mundo dos negócios.
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Anualmente, o ex-presidente da Microsoft fazia um retiro no qual consumia livros, artigos, jogos, filmes de áreas que não tivessem nada a ver com o seu trabalho diário.
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E deste retiro surgiam suas melhores idéias.
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Observem também, que empresas como o Google, maior expoente da área de buscas na Web, também investem em áreas como novos combustíveis, pesquisa espacial e bioinformática.
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Se eles investem nisso, porque nós também não podemos dedicar um tempo de nossa semana para outras áreas?
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Dicas
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Além desta visão transdisciplinar necessária também tenho outras dicas para vocês daqui para a frente.
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Sejam honestos e éticos com os outros e consigo mesmos.
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Sejam gratos até pelas coisas aparentemente ruins que aconteçam com vocês.
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E acima de tudo: gostem daquilo que vocês fazem. Sintam PAIXÃO.
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Conclusão
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Como mensagem final, tenho que destacar que o ciclo de transformações e crises mundiais pode estar longe de acabar: e isso pode ser bom.
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Ninguém sabe o que vem pela frente, mas o importante é: que não sejamos passivos, mas que sejamos agentes neste ciclo.
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Na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, vocês ganharam algumas ferramentas para agir no mundo.
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Cabe a vocês utilizá-las para o bem da sociedade.
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Por fim, lembrando as palavras de Gandhi:
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“Você deve ser a mudança que deseja no mundo”.
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Este é o mínimo que eu espero de vocês, façam mais do que isso e surpreendam!
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Obrigado
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